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travel blog

Qua | 22.05.19

Guia para três dias em Berlim

 

Três dias não são suficientes para ver Berlim. Já tivemos esta conversa noutras ocasiões, e já sabemos que sim senhora, três dias não são suficientes para ver cidade nenhuma, mas em Berlim a frase aplica-se mesmo. Basta pensar que, há não tanto tempo assim, a cidade era objetivamente duas - e, portanto, tem o dobro das coisas para ver.

Reichstag é um excelente plano de fundo

Mas também é verdade que muitas pessoas só têm mesmo um fim-de-semana grande para ver a cidade, e sempre é melhor que nada - porque até uma escala (afinal, por que é que a Lufthansa não tem hub em Berlim? Snif) de cinco horas valeria a pena na capital alemã.

 

Já expliquei antes por que é que Berlim é uma cidade para toda a gente, e por isso a ideia neste guia é explorar um bocadinho de cada coisa e dar um ponto de partida a quem está perdido na organização da viagem (ou aguçar o apetite a quem ainda não a marcou).

 

Dia 1 - Dizer olá a Berlim

 

A minha sugestão é que comecem pelo centro e partam daí para conhecer outras áreas da cidade. A Mitte é a zona central, e bem lá no meio, está a Ilha dos Museus: meus amigos, façam o que quiserem mas não percam o Pergamon. Eu não sou uma pessoa de museus, mas ver à minha frente - no meio de uma ilha berlinense e dentro de um edifício - um templo grego e uma das portas da Babilónia é de fazer o coração andar mais rápido. Não se chamaria Ilha dos Museus se fosse só pelo Pergamon: ao todo são cinco, e ali ao lado ainda têm a Catedral de Berlim. Há muito por onde escolher.

Catedral de Berlim

Entre a ilha e as Portas de Brandenburgo fica a Unter den Linden, e a nossa sugestão é que se passeiem pela avenida - há obras a decorrer um pouco por toda a zona, mas é um local privilegiado para perceber a imponência que marca muita da arquitetura berlinense.

 

Depois das fotografias da praxe naquele típico cartão de visita da cidade, façam uma curva à esquerda e parem um momento a contemplar o Memorial aos Judeus Mortos na Europa. Seguindo este percurso, é talvez o primeiro momento em que estamos frente a frente com um dos períodos mais marcantes da cidade, e um verdadeiro convite à introspeção.

Memorial dos Judeus Mortos na Europa

Porque o dia já está provavelmente longo (aproveitaram para comer, certo? E esperamos que tenha sido um kebab!), temos uma última sugestão para o dia: ver Berlim de cima, à noite. Para isso, é preciso algum planeamento prévio: alguns dias antes (ou semanas, dependendo de quando querem visitar), reservem a vossa entrada no Bundestag, o Parlamento Alemão, para conhecerem os meandros do edifício que alberga todas as decisões do país. O ponto alto é a subida à cúpula, de vidro, de onde podem ter uma visão panorâmica de toda a cidade.

 

Dia 2 - A Berlim da tragédia

 

Preparem-se, porque o dia hoje é duro - e não só fisicamente. Se quiserem começar calmamente, a minha sugestão é que visitem o Checkpoint Charlie. Apesar da carga histórica, hoje é mais uma atração turística "levezinha" que outra coisa. Por outro lado, podem sempre recorrer a uma das imagens mais marcantes da Guerra Fria e recordar que o impasse dos tanques da Crise de 1961 teve lugar ali mesmo.

Pormenor da Topografia dos Terrores

Muito perto, no entanto, fica a Topografia dos Terrores, e, aí sim, o soco no estômago é real. Imaginem um memorial, museu e centro de informação que junta todos os períodos maus da história da Alemanha: temos referências à I Guerra Mundial, temos o terror do período do III Reich e temos a dor da Guerra Fria. Tudo juntinho, num local que se podia ver em dez minutos mas no qual devem ficar bastante mais tempo do que isso.

 

Há muitas opções para o que fazer a partir daqui, na zona (entre elas o Museu Judaico), mas o tempo escasseia, pelo que a nossa sugestão é que sigam em direção à Potsdamer Platz. Vão passar por uma série de edifícios que albergaram organismos de Estado durante o século XX, e, num pequeno desvio, por uma torre de vigia da RDA (fica na Erna-Berger-Straße). Potsdamer é um sítio com muitas opções para almoçar e, frequentemente, um local de exposições, pelo que é uma boa ideia parar para arejar as ideias.

 

Um passeio pelo Tiergarten, o monumental parque que ocupa grande parte da zona central de Berlim, é uma boa ideia se estiverem com tempo, mas com apenas três dias a melhor solução para chegar à Kaiser Wilhelm Gedächtniskirche é apanhar o autocarro (200) ou o metro. Esta igreja, que junta as ruínas do edifício original - destruído durante a II Guerra Mundial - a uma nova construção é um exemplo perfeito da conjugação entre "velho e novo" que nos acompanha um pouco por toda a cidade. Foi também neste local, onde em dezembro se monta um mercado de Natal, que um atentado matou 11 pessoas. Não percam a oportunidade de entrar dentro do novo edifício para ver o efeito maravilhoso dos vitrais azuis.

Um exemplo de como era o Muro de Berlim

Depois disso, é altura para entrar de novo no metro, desta vez a caminho do Memorial localizado na Bernauer Strasse. Porque não são totós como nós - e já leram este guia - vão aproveitar para visitar não só o memorial que encontram na rua, com uma representação do muro de Berlim, torres de vigia e zona da morte, e homenagens às vítimas, mas também o centro de informação que fica do outro lado da estrada. (Nós acabámos por ir lá também, mas só na nossa segunda visita ao local, graças à nossa Helenazinha) Além do centro de documentação, e da perspetiva arrepiante que dá sobre o período da divisão alemã, há também uma plataforma de observação sobre o memorial que nos dá uma perspetiva irrepetível.

 

Dependendo da hora, há várias opções para o que fazer a seguir: um passeio até ao Cemitério judaico de Schönhauser Allee, por exemplo, é uma delas. Ou seguir diretamente para a Alexanderplatz, uma das praças mais emblemáticas da cidade, onde encontram também a Fernsehturm (torre da televisão). Não é uma recomendação para os fracos de estômago, ou sofredores de vertigens, mas aqueles a quem esses males não afligem podem beneficiar de uma vista como não há outra em toda a cidade. Uma das lembranças mais impressionantes, para mim, foi ver claramente a diferença entre os edifícios da Berlim Oriental e Ocidental, lá do alto, e perceber exatamente onde ficava a divisão.

 

Dia 3 - As artes e o ar livre

 

Nem todos são loucos por história olímpica como nós, por isso a nossa recomendação para três dias na cidade não inclui o Estádio Olímpico - mas, se quiserem ir até lá, não vão dar o tempo como perdido. Sugerimos, em vez disso, seguir para a zona de Kreuzberg, tradicionalmente uma das mais pobres de Berlim, onde se fixou a maior percentagem de população turca. Nos últimos anos, tem-se tornado uma zona "in", sobretudo junto da margem do canal Landwehr, e recebe um mercado turco que é uma maravilha de visitar.

Mercado em Kreuzberg

Depois é hora de descansar numa das zonas mais bonitas e artísticas da capital, a que só chegámos por causa, mais uma vez da nossa Helenazinha. A Badeschiff é uma piscina flutuante no rio, e até pode ser a vossa praia, mas não é por isso que a recomendamos: à volta têm velhos armazéns de velharias hipsters, parques verdes espetaculares e esplanadas onde podemos perder horas. Um retrato perfeito da vibe jovem e enérgica que, para mim, é sinónimo de Berlim.

Banco para gigantes junto a Badeschiff

Não muito longe, e ainda junto ao rio (mas na outra margem), fica a East Side Gallery e claro que não podíamos deixar de vos dar a dica de passar por lá. Afinal, é tão emblemática como as portas de Brandenburgo, e proporciona mais um momento de reflexão.


Visita Bónus

 

A visita ao DDR Museum, muito perto da ilha dos museus, foi um dos pontos altos da nossa viagem. Não a incluímos em nenhum dos dias porque achamos que é um bom joker: está a chover? Olha que boa oportunidade. Já não queremos andar mais? Que tal ficar logo no centro? Ainda temos um par de horas no dia de hoje? Vamos a caminho.

Famoso Trabant no DDR Museum

Trata-se de um pequeno museu (com bilhete barato, o que é sempre interessante) sobre o dia-a-dia na República Democrática Alemã, com objetos de época que tornam mais real toda a história que conhecemos sobre a RDA, a Stasi e o Muro de Berlim. Não falta sequer o Trabi (Trabant) e o Ampelmann, símbolos do quotidiano alemão oriental.

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